
A Teoria Humanitária da Punição

Resumo
A teoria humanitária da punição, dominante nos sistemas judiciais modernos, substitui a noção de justiça retributiva por objectivos de dissuasão e reabilitação. Ao abandonar o conceito de mérito, esta abordagem transforma o arguido de pessoa com direitos em mero objecto de tratamento técnico. O resultado prático é a transferência do poder de sentenciar das mãos de juristas sujeitos a escrutínio moral para peritos cujas decisões se tornam tecnicamente inquestionáveis.
Esta mudança retira ao indivíduo a protecção de sentenças definidas, permitindo detenções indefinidas baseadas em critérios terapêuticos determinados exclusivamente por técnicos estatais. Sem o conceito de mérito, desaparece qualquer limite moral à severidade do tratamento imposto, abrindo porta a abusos sob o pretexto benevolente de "cura". A justiça requer que a punição seja proporcional à ofensa cometida, nunca instrumento de engenharia social ao arbítrio de especialistas.
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- Estudantes de Direito ou Criminologia — este texto desafia a visão utilitária que domina os cursos modernos e obriga a questionar se a "reabilitação" obrigatória não é afinal mais tirânica que a punição tradicional
- Defensores de políticas de justiça social — o argumento de que remover o conceito de merecimento transforma o cidadão em mero objeto de tratamento técnico é um aviso sério contra o excesso de confiança no Estado benevolente
- Quem trabalha no sistema prisional ou de reinserção social — a crítica à sentença indefinida determinada por peritos em vez de por juízes morais é um alerta sobre a responsabilidade ética de quem decide o destino de outros seres humanos
Informações
em 22 de fevereiro de 2026
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