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O “Devido Processo Legal” sob o Anarcocapitalismo

O “Devido Processo Legal” sob o Anarcocapitalismo

Resumo

Numa sociedade sem estado, a garantia de procedimentos judiciais justos depende de mecanismos de mercado e não de imposições governamentais. A chamada "terceira parte" — quem observa uma acção coerciva — determina a legitimidade do uso da força, criando um incentivo natural para que agências de justiça actuem com rigor e transparência. A presunção de inocência e o ónus da prova emergem assim da lógica económica e não de decretos legislativos.

Quem busca restituição deve demonstrar publicamente que age em legítima defesa, sob pena de terceiros poderem intervir em defesa de quem aparenta ser a vítima. Este sistema baseia-se em risco restitutivo: agências de justiça lucram na exacta medida em que são fiáveis, pois clientes pagam para evitar ser confundidos com agressores. O monopólio estatal sobre a justiça revela-se assim desnecessário — e potencialmente perigoso, pois quem supervisionaria o supervisor?

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  • O cético sobre anarquiaquem acredita que sem estado não há justiça nem proteção de direitos, e precisa de entender como o empreendedorismo jurídico resolve isto na prática
  • O minarquista convencidoo defensor de "estado mínimo" que ainda acredita que é preciso um monopólio para garantir devido processo, mas nunca questionou quem vigia o vigiante
  • O estudante de direito ou ciência políticaa pessoa que só conhece o modelo estatal de justiça e nunca considerou como tribunais privados e agências de proteção funcionariam num mercado livre
Monopólio Benevolente - O Estado apresenta-se como único guardião dos "direitos processuais", ignorando que o seu monopólio elimina incentivos à eficiência e imparcialidade, enquanto mercados livres criam mecanismos de controlo através da reputação e resposta de terceiros.
Apelo ao Medo do Caos - A narrativa statalista assume que sem um governo mínimo haveria empresas de protecção corruptas e procedimentos arriscados, quando a competição no mercado livre penaliza severamente a falta de fiabilidade e recompensa a justiça equitativa.
Falso Dilema - O Estado enquadra a discussão como escolha entre monopólio governamental ou injustiça arbitrária, escondendo que o empreendedorismo na justiça — com agências que assumem o risco restitutivo — gera padrões objectivos de equidade sem necessidade de uma "superagência" que ninguém supervisiona.

Informações

Sheldon Richman, Paulo Jorge Cruchinho
19 de janeiro de 2026
Website
Submetido por pedro.figueiredo
em 22 de fevereiro de 2026